segunda-feira, 23 de maio de 2011

Salomão Habib

                   Apreciei pela primeira vez o trabalho do Salomão em uma apresentação para estudantes no auditório de uma escola de Belém. Foi fascínio a primeira vista. A maestria com que este artista combinou camadas sonoras eruditas e acordes populares foi irresistível. Conquistou-nos a todos.
Salomão Habib, violonista paraense.

                Assisti outras apresentações locais e acompanhei com interesse alguns dos seus trabalhos. Comecei a sonhar alto: será que eu poderia, um dia, ser aluno do Salomão? Ainda sonho.
                A última apresentação do mestre que tive a oportunidade de apreciar foi na ocasião do Primeiro Encontro Espírita do Pará, realizado em janeiro deste ano. Ao lado de outros grandes violonistas paraenses, tais como Nego Nelson e Sebastião Tapajós, Salomão Habib errebatou o público.
                Contudo, este blog é pequeno demais para falar do Salomão. Deixo como sugestão o link para visitar o blog do próprio mestre. Em uma das postagens encontramos o currículo invejável de apresentações nacionais e internacionais do artista.
Salve o mestre!


Luciano Simões

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Um Mundo em Hipertexto

A primeira vez que assisti Minority Report (2002) fiquei deslumbrado com a possibilidade de, em um futuro próximo, podermos manipular textos virtuais, tal como faz a personagem John Anderton, interpretado por Tom Cruise no referido filme. Hoje estamos na fronteira dessa possibilidade. E o mais entusiasmante nesse processo é descobrir que ele foi impulsionado pela lógica dos games.
Minority Report (2002), filme de Steven Spielberg, baseado na obra de mesmo nome de Philip K. Dick.
 Segundo a professora e pesquisadora brasileira Lucia Santaella, compreender a revolução moderna do mundo do games é fundamental para entender como outras instâncias comunicativas e interativas aperfeiçoaram suas próprias lógicas. Acerca do crescimento do mercado dos games, Santaella explica:
Lúcia Santaella, uma das maiores intelectuais brasileiras no campo da Semiótica.
Para se ter uma idéia do papel que os jogos eletrônicos estão desempenhando na cultura humana deste início do terceiro milênio, basta dizer que a movimentação financeira de sua indústria é a primeira na área de entretenimento, superior à do cinema, e a terceira no mundo, perdendo apenas para a indústria bélica e a automobilística.

       (SANTAELLA, Lúcia. Games e comunidades virtuais. Em: http://www.canalcontemporaneo.art.br/tecnopoliticas/archives/000334.html)

Sobre a interatividade proporcionada pelos jogos eletrônicos, Santaella explica que, no mundo virtual do jogo existem diferentes níveis envolvimento: uns mais rasos e outros mais profundos. Em um nível mais profundo, explica a doutora, a interatividade não funciona “apenas como experiência ou agenciamento do interator, mas como possibilidade de co-criação de uma obra aberta e dinâmica, em que o jogo se reconstrói diferentemente a cada ato de jogar” (idem). Significa dizer que, em certo nível de interatividade, o jogo nos permite recriar possibilidades e realidades alternativas no próprio contexto no qual estamos inseridos.
É mais ou menos isso que Anderton faz diante dos hipertextos holográficos, em Minority Report – ou Tony Stark, em o Homem de Ferro. É uma lógica de jogo, manipulação cibernética, criação e co-criação.


Hipertexto

Vagando pelo Wikipédia, encontrei o seguinte conceito:

"Hipertexto é o termo que remete a um texto em formato digital, ao qual se agregam outros conjuntos de informação na forma de blocos de textos, palavras, imagens ou sons, cujo acesso se dá através de referências específicas denominadas hiperlinks, ou simplesmente links. Esses links ocorrem na forma de termos destacados no corpo de texto principal, ícones gráficos ou imagens e têm a função de interconectar os diversos conjuntos de informação, oferecendo acesso sob demanda as informações que estendem ou complementam o texto principal. O sistema de hipertexto mais conhecido atualmente é a World Wide Web, no entanto a Internet não é o único suporte onde este modelo de organização da informação e produção textual se manifesta." (http://pt.wikipedia.org/wiki/Hipertexto)
       Contudo, a lógica que os computadores convencionais usam para “gerar” um hipertexto no “espaço” é notoriamente clássica, uma vez que um texto só pode ser visualizado quando outro estiver minimizado. Em outras palavras, ainda não é um super, hiper, mega hipertexto. Será, em definitivo, quando pudermos manipulá-lo, rasgá-lo, recriá-lo, contaminá-lo com nossa existência. Ou será assim, ou não será. E adivinha qual será o grande paradigma dessa revolução: O JOGO!

Luciano Simões

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Salvador Dali, o Surrealismo e... a Física!?

O Surrealismo foi um movimento artístico iniciado, ao que me parece, no ano de 1924, ocasião da publicação do texto Primeiro Manifesto Surrealista, de André Breton. Orientado pelas descobertas de Freud sobre o inconsciente, os surrealistas potencializaram um tipo de arte que extrapolava as manifestações artísticas usuais, recorrendo a imagens oníricas. Para quem já leu um mínimo acerca de psicanálise, sabe que os sonhos são uma espécie de válvula de escape para as estruturas psíquicas do inconsciente. Sentimentos, frustrações e desejos reprimidos encontram nos sonhos seu grande veículo de mobilidade.
Salvador Dali (1904 - 1989)
 No campo específico da pintura, destacou-se o espanhol Salvador Felipe Jacinto Dali que, mesmo no contexto da arte moderna – cubismo, futurismo e outros bichos –, conseguiu notoriedade explorando construções artísticas que distorcem o real. Daí o termo “surreal”, comumente usado quando se quer falar de algo muito, muito, muito diferente e claustrofóbico.
O Grande Masturbador (1929), óleo em tela. É notória a questão do erotismo inconsciente, influência da psicanálise.
A Persistência da Memória (1931), óleo em tela. Para o insconsciente, o tempo é maleável, condição aversa ao tempo frio e inexorável da física newtoniana. Um brinde para quem encontrar o nariz de Dali.
A Metamorfose de Narciso (1937), óleo em tela. Interprete se puder.
Natureza Morta-Viva (1957), óleo em tela. Dali desfigura certas leis da natureza - lei da gravidade, entropia. No movimento da água aparece um pequeno ciclone, alusão à razão áurea (ver vídeo indicado no blog)
 As obras que mais me chamam a atenção, enquanto estudante de física, são: A persistência da Memória e Natureza Morta-Viva. A primeira é, indubitavelmente, o trabalho mais conhecido de Dali. Não serei o último mortal da face da terra a associar as imagens oníricas do espanhol com a relatividade do tempo de Einstein. A idéia de um tempo distorcido e maleável lembra bastante as interpretações oriundas da Teoria da Relatividade. Enquanto na física newtoniana o tempo é tido como um ente absoluto e inexorável, cuja medida independe de quem observa o mundo, na Relatividade de Einstein o tempo é relativizável, dependendo do estado do observador. Daí a noção de maleabilidade do tempo presente nos relógios distorcidos.
Contudo, não me atreveria a dizer que Salvador Dali se inspirou diretamente na física de Einstein para compor a tela. Compreendendo o mínimo acerca do Surrealismo, prefiro embarcar com a maioria e sugerir que os relógios distorcidos figuram a atemporalidade da consciência: nos sonhos, a idéia de “passagem do tempo” parece não fazer muito sentido.
Quanto a Natureza Morta-Viva... A coisa já é diferente. É só reparar na citação de Dali extraída da bibliografia consultada*:

“Com o chifre do rinoceronte, energia máxima no mínimo espaço, frente ao espaço infinito do mar, o quadro resulta da cúspide de uma geometria (...) que permite a mim, a Dali, conhecer existencialmente a verdade do espaço-tempo.”

Para mim é indubitável a relação com a Teoria da Relatividade Geral – que versa sobre o espaço-tempo, termo caríssimo aos físicos modernos – e com a Entropia, teoria que versa sobre a relação entre a energia e o tempo (ver postagem sobre Sandman e a Entropia). Não me sinto capaz de interpretar Dali sem o auxílio de um texto profissional, mas compreendo que o quadro não é só um amontoado de figuras soltas, desprovidas de gravidade, mas um mosaico onírico que combina formas, organização, relação com o espaço, tempo, vida e organização biológica. Impagável!
Imaginemos, agora, que cada um de nós pudesse, assim como Dali, materializar parte dos seus desejos recônditos em óleos sobre telas: que formas fantasmagóricas, maldosas, sinistras e maledicentes não encontraríamos. Melhor mesmo é deixar certos monstros na escuridão do inconsciente.
 Física também é cultura... E o que é melhor: surreal.
O que você achou de Dali? Conheça mais sobre o mestre surrealista nos links a seguir e bons sonhos.

(*) – Coleção Gênios da Arte/Barueri, SP: Girassol; Madri: Susaeta Ediciones, 2007.